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Discipulado autêntico

Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á...”. Mateus 16:24-28 Depois de quase 35 anos como ministro do evangelho tenho observado algo que se evidencia em todas as ultimas duas décadas de evangelismo que eu chamo de síndrome do poder eclesiástico.

Isso se acentua gradativamente nos dias que se seguem; uma tendência de lideres que influenciam outras pelo poder do carisma. Lideres que destacam e exercem influencia contagiando aos que lhe são submissos para que sigam seus passos. O grande problema é que muitos “carismáticos” influenciam pela vida “estilosa” e pelo aparente sucesso de penetração na mídia, sem necessariamente passar pelo cadinho da depuração do caráter que é a verdadeira conversão*

São místicos, mas não são éticos. Aparentam santidade e virtudes, mas na subjetividade de suas vidas são capciosos, postiços, sem a verdadeira essência do evangelho. Verdadeiros “atores” que vivem um personagem ao qual gostariam de ser porque há evidencia, luzes de palco, holofotes, gostam de evidencias mediáticas.

Amam o brilho e o sucesso, sem compreenderem o verdadeiro sentido de ser em Cristo . O que acontece diante disso é que brotam no seio da cristandade outros que procuram serem “discipulados” por esse tipo de gente e acabam personificando um perfil esquizofrênico em dimensão multiplicada. Além de imitarem um personagem “ator”, Acabam perdendo a sua própria identidade, porque imitam uma farsa e esquecem o essencial que é a transformação do caráter pela verdadeira transformação produzida pelo Espírito Santo no âmago do ser de ser quem é por ser Deus ser quem Ele é.

Surge no cenário evangélico uma espécie de “supercrente”, o pior, se acham... Basta qualquer situação convergente em que decisões precisam ser tomadas com critérios e lá vem o chavão pra vencer a discussão. “Deus me disse... Deus me falou...” e se portam como verdadeiros oráculos da divindade, o pior, tem gente que acredita nesse tipo de “profecia” sem base alguma de evidencias de um bom testemunho perante a sociedade.

Quando um líder percorre essa jornada do “eu” centrifugo, não pense que haverá redenção do lado de fora, ou seja, uma fala mecânica de que Jesus o remiu. Depois que Jesus mostrou o caminho pela vida que viveu, Ele ensina que uma cruz particular e individual deve ser carregada.

A cruz é de cada um, tem o peso e se adéqua a cada seguidor de Jesus. Inicia-se assim um processo de redenção introspectiva, o calvário de cada um. O irredento só se torna redimível se escapar da funesta ilusão de que alguém seja quem for possa purificar-se automaticamente dessas impurezas do ego.

Precisa haver uma morte, uma caminhada ao gólgota e uma crucificação de forma subjetiva, para que alguém possa experimentar o verdadeiro valor da redenção em Cristo. Não há favoritismo, protecionismo, contrabando no reino de Deus. A lei universal que rege o universo é a semeadura e a colheita.

O que cada um semear isso mesmo colherá- Se semeaste o pecado, do pecado colherá o sofrimento se não o revogares pelo contrário. Ninguém deve se iludir! Não há nenhuma possibilidade de renunciar o egoísmo em outro lugar, a não ser dentro de cada um. Cada cruz a ser carregada é de cada um.

Quando se carrega a cruz, se ofusca o brilho do carisma, porque a essência do Cristo aparece. Para efeitos e resultados da nova vida em Cristo, não existe procuração a ser passada a alguém para que ele aja em teu nome, nem que essa procuração venha com “firma reconhecida” de todos os cartórios teológicos e eclesiásticos do mundo.

Deus não sanciona inércia moral e não reconhece esse automatismo redentor. A única esperança de redenção está numa vida vivida segundo o exemplo de Jesus, encarnação do eterno Cristo, Ele deu exemplo para que o façamos assim também.

Pedro Luiz Almeida
éticos;cruz;
*Nota - A palavra grega para “conversão”, usada nos evangelhos, é “metanóia” que quer dizer literalmente “trans-mente” ou “transmentalizacao” designando o profundo processo interno pelo qual o homem despoja a mentalidade do “velho homem” e se reveste do “novo homem” tornando-se uma nova criatura em Cristo, passando pelo novo nascimento.



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