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Paixão do poder pelo poder

A paixão pelo poder é a mãe da heresia.” S. João Crisóstomo, c. 347-407
“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos...” 2 Timóteo 3:1,2 O meio-campista no futebol ficou célebre não apenas por ter sido uma das maiores estrelas do tricampeonato brasileiro em 1970, mas por ter formulado, na propaganda do cigarro Vila Rica veiculada anos depois, aquela que viria a ser conhecida como lei de ‘”Gérson” que dizia: "O importante é levar vantagem em tudo, certo?"
Frase dita num carregado sotaque carioca, forçando os erres até o palato ficar encharcado. Gérson tentou por muito tempo se desvencilhar da fama de patrocinador dos espertalhões, patrono dos corruptos e propagandista dos canalhas, mas não teve jeito. A lei de ‘Gérson’ pegou. Sociólogos, antropólogos e a nata da intelectualidade brasileira já gastaram horas e mais horas, tinta e mais tinta, neurônios e mais neurônios para condenar a nação brasileira condição “gersoniana.”. “O que eu ganho com isso?” é a pergunta que muitos fazem ao começar um projeto.
Essa pergunta esconde uma intenção muito subliminar, uma linha tênue entre o egoísmo e o desejo descomedido do poder em si pelo poder de estar por cima... E muitos evangélicos distorcem o texto de Deuteronômio para justificar a ganância: “Ser cabeça e não cauda’... Sempre estar levando vantagem.
São clichês que escondem em nome de conquistas e o desejo do poder pelo poder. Na verdade muitas pessoas se acostumaram com a” lei de Gerson”. O desejo de ser destaque, estar na moda, procurar os primeiros lugares, os holofotes e ser admirado todo custo; O homem ego é o pó da terra que alimenta a serpente. O ego eclesiástico, o ego politico... Ser uma personalidade rica e famosa não pelo dinheiro, isso é apenas um meio para a ambição descomedida do poder pelo poder.
Manipular a massa exige algo maior que o amor pelo dinheiro. O dinheiro é um meio para alcançar o fim. O amor do poder pelo poder. Paulo escreveu: “ o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Porém, o dinheiro torna-se um degrau para o alvo maior que é conquista do poder pelo poder.
Vejam como são essas coisas do poder pelo poder: Na tentação do deserto Jesus foi tentado pelo diabo. Uma pergunta: O diabo não está no inferno? Aqueles que, preferem assustar os homens incautos com uma caricatura de um diabo monstro de chifre rabo, morando num lugar tenebroso debaixo da terra cozinhando as almas num forno cheio de larvas e podridão, não compreendem o simbolizado da parábola.
Literalmente acham ser o inferno um lugar de tormentos; mas o inferno não é um lugar físico, mas um estado de consciência criado pela ganância ou outro tipo de perversão que corrompe a alma do desejo do poder pelo poder. Agora pensem um pouco! Apenas um pouco... A Bíblia diz que o diabo foi tentar Jesus no meio do deserto. Pergunto: Oque o diabo estava fazendo no deserto da Judéia?
Ele não está no inferno como um lugar geográfico como ensinam alguns? Será que estava de férias no “inferno” e resolveu dar um passeiozinho no deserto? Ele apresentou a Jesus os reinos desse mundo e disse-lhe: “Tudo isso te darei se prostrado me adorares” Preste atenção. Acha mesmo que tentação é algo simplório? Jesus não teria discernimento que um monstrengo de chifre rabo aparecesse a ele dessa forma?
Seria patético, motivo de piada para um homem como Jesus ser tentado dessa maneira. Evidente, que não se tratava de um diabo externo materialmente falando. Um dia ouvi alguém dizer: “O diabo se transformou num anjo de luz, magnífico, e apareceu como Lucífer, para tentar receber adoração de Cristo”. A Bíblia diz em Colossenses que Cristo é o primogênito da Criação. Mesmo Lúcifer, que se fora líder dos querubins nos tempos antes de sua queda, estava subordinado a Ele e não seria tentado mesmo que hipoteticamente à visão física fosse de um querubim glorioso. Jesus não seria tentado a adorá-lo por isso.
Mas, a Bíblia diz que JESUS foi tentado a desejar o poder dos reinos deste mundo. Adorar a satanás era o preço. É evidente que se tratava de uma entrega de sua volição humana a esses desejos de conquistar o poder pelo poder de conquistas terrenas. De que forma foi Jesus tentado? No seu ego mental humano.
Um dia me perguntei: porque o tentador disse que todos os reinos desse mundo pertencem a ele e que Deus entregou a ele e daria a quem quisesse. Porque de fato, as conquistas desse mundo pertencem ao ego humano. A tentação foi ceder numa subjetividade do ego mental do homem Jesus. Adquirir poder, pelo poder. As obras faraônicas, os grandes edifícios, a moda, a grife, o poder das conquistas materiais que levam o homem a prostrar-se submisso àquilo que é terreno e temporário.
O Diabo age na forma de um pensamento. O Apóstolo Paulo se reporta em II Corintios 10; 4 “... as armas de nossa milícia não carnais, mas, poderosas em Deus para demolição de fortalezas, levando cativo todo pensamento a obediência de Cristo...” Nisso é que consistia a tentação; Cristo foi tentado por um pensamento sutil que ocorreu em sua mente. Porque sacrifício de cruz, se as coisas poderiam ser de um modo diferente, Que lição à tentação do deserto nos ensina?
O poder pelo poder é a força mais sedutora do universo. Ela corrompe homens em todos os níveis. O poder pelo poder de sentir-se recompensado por tudo aquilo que faz, seja através de elogios (glória humana) Prestigio social, onde o ego mental é supervalorizado ou pelas conquistas terrenas. Realmente quando Satanás em forma de pensamento induz essa ideia da falácia satânica de que: “Tudo isso me foi entregue e dou a quem quero”
Reporta-se a força do braço humano, as conquistas da mente, as habilidades da inteligência. O desejo muito além das conquistas, a essência da ação motivadora; o poder pelo poder sem serviço sacrificial. Como disse Paulo: “Homens amantes de si mesmos”. Todos os dias somos tentados a desejar o poder pelo poder das conquistas, desde as menores até as maiores. O poder pelo poder da vitória e o reconhecimento de nossas obras terrenas é a tentação de adora a própria vontade volitiva.
E isso está se tornando-se o frenesi nesse século, a coqueluche desses tempo dos fim. O pior, quando você pede a Deus uma conquista, cuja motivação é o desejo de querer poder pelo poder. Jesus disse que nossas petições nem sempre são atendidas porque queremos coisas para nossos próprios deleites. Não que seja pecado almejar conquistas; que seria da autoestima se assim o fosse?
Mas, o desejo descomedido do poder pelo poder de reconhecimento, de ser aceito que é a vanglória.
Anonimato? ou reconhecimento. Que aconteceria ao mundo religioso se todas as religiões do mundo chegassem à conclusão que não existe inferno para punir as almas e nem existe recompensa nos céus pela parte de Deus após a morte? Creio que a maioria das pessoas desistiria da ideia de ser religioso.
Na verdade, quais são as motivações internas das petições a Deus? Deve ser uma relação de amor pelo que Deus É sem esperar nada a não ser amá-Lo. Se colocar no coração, esse anseio de conhecê-Lo vai entender que o reino de Deus instala-se na alma e traz a verdadeira felicidade. O desejo de “ser” e não apenas “ter”.
Não terá outra ambição a não ser realizar-se evoluir no conhecimento Dele. Essa é verdadeira felicidade. Quem assim se realiza encontra na fonte de poder do amor (Ele mesmo) de ser quem Ele é, apesar das fraquezas humanas, se obtém nesse percurso a luz da graça divina. O homem que serve a Deus, não se vangloria em si mesmo ou em suas conquistas. Como disse Jesus ao Apóstolo Paulo “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na tua fraqueza.”
Pedro Luiz Almeida



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